domingo, 2 de novembro de 2008

BREVIÁRIO DE DECOMPOSIÇÃO




A Pulpite da Lucidez. O pior de toda lucidez é o inevitável desembocar no antro da amargura. É a paga a quem recusa o engodo, o teatrinho das conveniências diárias, a quem se recusa ser denominado profeta e alimentar um rebanho obediente e seguidor. Cioran é o intelectual que torcemos para estar errado, pois sua amargura é magistralmente bem fundamentada. A este propósito invoco uma espécie de dicionário a partir da obra destacada:


A) fiel, espécie de criminoso pronto para abater quem não aceita suas crenças. _Sua capacidade de adorar é responsável por todos os seus crimes: o que ama indevidamente um deus obriga os outros a amá-lo, na espera de exterminá-los se se recusam. Não há intolerância, intransigência ideológica ou proselitismo que não revelem o fundo bestial do entusiasmo_p.11;


B) amor, _encontro de duas salivas_ p.15.


C) convívio, decadência p.24,


D) homem, o único ser na escala das criaturas_que pode inspirar um nojo constante_p.25;


E) vida, período de decomposição, de apodrecimento do corpo, nascer é começar a apodrecer

...e por aí vai.


Na minha avaliação, recomendável apenas aos espíritos preparados.




Vocês podem notar que a capa da obra do Cioran exibe a mesma gravura da capa do disco do AGATHOCLES. Então vou postar o disco também pros céticos ouvirem um bom barulho...

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Um comentário:

Tomaschewsky disse...

Emile Cioran representa, estava procurando algum livro dele que não fosse em espanhol.