domingo, 14 de dezembro de 2008

Antonin Artaud


Antoine Marie Joseph Artaud, conhecido como Antonin Artaud (Marselha, 4 de setembro de 1896 — Ivry-sur-Seine, Paris em 4 de março de 1948) foi um poeta, ator, escritor, dramaturgo, roteirista e diretor de teatro francês de aspirações anarquistas. Ligado fortemente ao surrealismo, foi expulso do movimento por ser contrário a filiação ao partido comunista. Sua obra O Teatro e seu Duplo é um dos principais escritos sobre a arte do teatro no século XX, referência de grandes diretores como Peter Brook, Jerzy Grotowsky e Eugenio Barba. Seus restos mortais se encontram no Cimetiere de Marseille, França.
VIDA
Em 1937, Antonin Artaud, devido a um incidente, é tido como louco. Internado em vários manicômios franceses, cujos tratamentos são hoje duvidosos, ele é transferido após seis anos para o hospital psiquiátrico de Rodez, onde permanece ainda três anos.
Em Rodez, Artaud estabelece com o Dr. Ferdière, médico-responsável do manicômio, uma intensa correspondência. Uma relação ambígua se estabelece entre os dois: o médico reconhece o valor do poeta e o incentiva a retomar a atividade literária mas, julgando a poesia e o comportamento de seu paciente muito delirante, ele o submete a tratamentos de eletrochoque que prejudicam sua memória, seu corpo e seu pensamento.
Existe aqui um afrontamento entre dois mundos, o da medicina e razão social e o do poeta cuja razão ultrapassa a lógica normal do “homem saudável”.
As cartas escritas de Rodez são para Artaud um recurso para não perder sua lucidez. Elas revelam um homem em terrível estado de sofrimento, nos falando de sua dor através de uma escritura mais íntima e mais espontânea. São os diálogos de um desesperado com seu médico e através dele com toda a sociedade.
“Não quero que ninguém ignore meus gritos de dor e quero que eles sejam ouvidos”.
OBRAS
Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas que refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar forças.
Em 1935 Artaud conclui o "Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double), um dos livros mais influentes do teatro deste século. Na sua obra ele expõe o grito, a respiração e o corpo do homem como lugar primordial do ato teatral, denuncia o teatro digestivo e rejeita a supremacia da palavra. Esse era o Teatro da Crueldade de Artaud, onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo.
Em Rodez, além de suas cartas (lettres au docteur Ferdière) ele elabora uma prática vocal, apurada dia a dia, associada à manifestações mágicas. A voz bate, cava, espeta, treme, a palavra toma uma dimensão material, ela é gesto e ato.
Artaud volta a Paris em 1946, onde dois anos depois é encontrado morto em seu quarto no hospício do bairro de Ivry-sur-Seine. Neste período, além de uma importante produção literária ele desenha, prepara conferências e realiza a emissão radiofônica "Para acabar com o juízo de Deus" (Pour en finir avec le jugement de dieu), onde sua vontade expressiva se alia a um formalismo cuidadoso.
Se nos anos 30 o teatro para Artaud é “o lugar onde se refaz a vida”, depois de Rodez ele é essencialmente o lugar onde se refaz o corpo. O “corpo sem órgãos” é o nome deste corpo refeito e reorganizado que uma vez libertado de seus automatismos se abre para “dançar ao inverso”.
“A questão que se coloca é de permitir que o teatro reencontre sua verdadeira linguagem, linguagem espacial, linguagem de gestos, de atitudes, de expressões e de mímica, linguagem de gritos e onomatopéias, linguagem sonora, onde todos os elementos objetivos se transformam em sinais, sejam visuais, sejam sonoros, mas que terão tanta importância intelectual e de significados sensíveis quanto a linguagem de palavras.”
O seu trabalho ainda inclui, ensaios e roteiros de cinema, pintura e literatura, diversas peças de teatro, inclusive uma ópera, notas e manifestos polêmicos sobre teatro, ensaios sobre o ritual do cacto mexicano peyote entre os índios Tarahumara (Les Tarahumaras), aparições como ator em dois grandes filmes e outros menores. Artaud escreveu: "Não se trata de assassinar o público com preocupações cósmicas transcendentes. O fato de existirem chaves profundas do pensamento e da ação segundo as quais todo espetáculo é lido é coisa que não diz respeito ao espectador em geral, que não se interessa por isso. Mas de todo o modo é preciso que essas chaves estejam aí, e isso nos diz respeito" - em Teatro e seu duplo.
PUBLICAÇÕES
« Tric Trac du Ciel », Paris, Simon, s.d., 1923
« L'Ombilic des limbes », Gallimard, NRF, Paris, 1925
« Le Pèse-nerfs », Leibovitz, Paris, 1925
« L'Art et la mort », Denoël, Paris, 1929
« Le Moine, de Lewis », Paris, 1931
« Héliogabale ou l'anarchiste couronné », Denoël & Steele, Paris, 1934
« Les Nouvelles révélations de l'être », Denoël, Paris, 1937
« Le Théâtre et son double », Gallimard, Paris, 1938
« D'un voyage au pays des Tarahumaras », Édiçaõ da revista Fontaine, Paris, 1945
« Van Gogh le suicidé de la société », K , Paris, 1947
« Artaud le Mômo », Bordas, Paris, 1947
« Ci-Gît précédé de La culture indienne », K , Paris, 1947
« Pour en finir avec le jugement de Dieu », K , Paris, 1948
« Les Cenci », in « Œuvres complètes », Gallimard, La Pléiade, 1964
Van Gogh, le suicidé de la société, programa de rádio, INA, André Dimanche Editeur, 1995.
« 50 dessins pour assassiner la magie », Gallimard, Paris, 2004
« Artaud Œuvres », coleção "Quarto", Gallimard, Paris, 2004
« Cahier d'Ivry, janeiro 1948 », fac-simile, Gallimard, Paris, 2006

As obras completas de Artaud, em francês, tem 28 tomos, editados pela Gallimard.
DOCUMENTOS SONOROS
veja O Rito do Peyot nos Tarahumaras no youtube em Le rite du Peyot chez les Tarahumaras, em francês
« Pour en finir avec le jugement de dieu », INA et André Dimanche Éditeur, 1995
Un extrait de « Pour en finir avec le jugement de dieu »
« Pour en finir avec le jugement de dieu » au complet en 10 parties
Livre audio (lecture mp3) du début et d'un extrait de « Van Gogh, le suicidé de la société »
DOCUMENTOS AUDIOVISUAIS
« La Coquille et le Clergyman »
« Un siècle d'écrivains » (Francês 2000)
BIOGRAFIA EM FRANCES
- André Bonneton, Le naufrage prophétique d'Antonin Artaud, Lefebvre Editeur, Paris 1961.
- Jean-Philippe Cazier, "Antonin Artaud" in Aux sources de la pensée de Gilles Deleuze, Editions Sils Maria/Vrin, 2005.
- Raphaël Denys, Le testament d'Artaud, Gallimard, 2005.
- Evelyne Grossman, Artaud, l’aliéné authentique, Farrago / Léo Scheer, Tours, 2003.
- Christian Nicaise, Antonin Artaud : Les Livres, L'Instant perpétuel, Rouen, 2003.
- Anaïs Nin, « "Je suis le plus malade des surréalistes" - Nouvelle où Antonin Artaud apparaît sous les traits du personnage Pierre », dans La Cloche de verre.
- Jacques Prevel, En compagnie d'Antonin Artaud, suivi de Poèmes. Flammarion, 1994.
- Florence de Mèredieu, "C'était Antonin Artaud", Biographie. Fayard, 2006.
FILMOGRAFIA
« Fait divers », Claude Autant-Lara, 1924
« Surcouf, le roi des corsaire » de Luitz-Morat, 1925
« Graziella », Marcel Vandal, 1926.
« Le Juif errant, Luitz-Morat, 1926, personagem Gringalet
« Napoléon », Abel Gance, 1927, personagem Marat
« La Passion de Jeanne d'Arc », Carl Theodor Dreyer, 1927, personagem Massieu
« Verdun, visions d'histoire », Léon Poirier, 1927
« La Coquille et le clergyman », Germaine Dulac, 1928, com Génica Athanasiou
« L'Argent », Marcel L'Herbier, 1928, personagem Mazaud
« Tarakanova », Raymond Bernard, 1929, personagem um jovem boêmio
« La Femme d'une nuit », Marcel L'Herbier, 1930,personagem Jaroslav .
« L'Opéra de quat'sous », Georg Wilhelm Pabst, 1930, versão francesa, personagem um mendigo aprendiz
« Faubourg Montmartre », Raymond Bernard, 1931, personagem Follestat
« Les Croix de bois », Raymond Bernard, 1931, personagem Vieublé
« Coup de feu à l'aube », Serge de Poligny, 1932, personagem um chefe de bandidos
« Mater dolorosa », Abel Gance, versão falada, 1932
« Liliom », Fritz Lang, 1933.
« Lucrèce Borgia », Abel Gance, 1935, personagem Savonarole
« Koenigsmark », Maurice Tourneur, 1935.
FILMOGRAFIA SOBRE ARTAUD
- Antonin Artaud - Réalisateur : Labarthe André S. - Prod. : A.M.I.P. / France 3 - Marque : DOC & Co. (disponible en médiathèque. Documentaire qui présente le « théâtre cruel de la vie d'Antonin et célèbre le poète, révolutionnaire de l'art et de la vie. »)
- En compagnie d'Antonin Artaud (1993) - Réalisateur : Gérard Mordillat.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Um comentário:

NathyMarks** disse...

Nuooossa!
Q matéria foda!
Adoro Arte!
Ainda num tinha lido ou visto a história de Artaud, mas já vi algumas de suas obras.
Muito puto vc de fazer uma matéria dessas no blog!
Ainda vou a Paris!
rsrs
xau!